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As florestas ajudam a combater as alterações climáticas

Principal sumidouro terrestre de CO2, a floresta assume-se como uma solução natural para uma economia de baixo carbono, capaz de mitigar os efeitos das alterações climáticas.

campo florido

A Comissão Europeia afirma que é necessário plantar pelo menos três mil milhões de árvores nos próximos dez anos, para proteger a natureza e a economia. Porque as florestas não só contribuem para a criação de emprego e de riqueza, como mitigam as alterações climáticas através do sequestro de carbono.

A redução das emissões de carbono está muito dependente da diminuição da utilização de combustíveis fósseis, e, nesse sentido, estão a ser tomadas medidas para substituir o petróleo e o carvão por fontes de energia renovável, como a solar e eólica, e os produtos derivados de combustíveis fósseis por produtos ecológicos de fontes naturais, como a madeira.

Neste âmbito, a madeira não é apenas uma matéria-prima natural, renovável e biodegradável, é também um depósito privilegiado de CO2, que as árvores retiram da atmosfera: o CO2 sequestrado pelas árvores é armazenado na madeira e, depois, nos produtos com origem na madeira ao longo da sua vida útil; cada tonelada de papel, por exemplo, retém o equivalente a 1,3 toneladas de CO2.

Um estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, no Brasil, registou que, desde 1960, só a floresta Amazónia absorveu cerca de um quarto de todas as emissões de combustíveis fósseis.

Mas não são apenas as florestas tropicais que prestam este serviço ao planeta. Nova pesquisa, publicada este ano na revista científica Nature, descobriu que as florestas mundiais sequestraram, entre 2001 e 2019, o dobro do carbono que emitiram, mesmo contando com o carbono libertado no caso de incêndios. O estudo diz que o sequestro bruto anual de CO2 das florestas é de 16 mil milhões de toneladas métricas (7,6 mil milhões líquidos).

Estes números incluem também as florestas de produção – áreas que são plantadas e replantadas regularmente, de forma sustentável, construindo um ciclo de retenção de carbono. E quanto maior a taxa de crescimento das árvores plantadas, maior a eficiência a retirar dióxido de carbono da atmosfera. É o caso do eucalipto, que sequestra, anualmente, sete vezes mais CO2 do que o sobreiro e três vezes mais do que o pinheiro-bravo.  

Assim, uma empresa de base florestal como a The Navigator Company, que gere em Portugal mais de 107 mil hectares de floresta, tem um stock de carbono, excluindo o do solo, equivalente a 6,1 milhões de toneladas.